quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A era de Aquário e o feminismo do Sagrado

Não vejo problema algum em postar quotes de pessoas como Nietzsche, Tacitus ou Maquiavel, pensadores mal incompreendidos em seus momentos - até hoje - geralmente, por uma parcela da humanidade que pratica exata e pontualmente todas as "aberrações" a que eles fizeram referência em seus escritos. Eles colocam o dedo na ferida existencial, o que não quer dizer que suas respectivas práticas vivenciais fossem pautadas na dimensão do que observavam, como atentos "olheiros" do mundo.

Como abordei em outro momento, empurramos para debaixo do tapete nosso lado Sombra, mostrando e fazendo questão de mostrar para o outro apenas a Luz. Com isso, criamos uma matriz lúdica de bem-aventurança simbólica e artificial que, ao menor sinal de ranhura, coloca-nos na berlinda da espiral evolutiva.

Boa parte das religiões que se balizam no binômio culpa/redenção utiliza bem esse expediente: a culpa é a marca escarlate de nossa "queda" de um Paraíso cujo endereço não nos apontaram, e a redenção é o caminho de expurgo para, depurando a falha, possamos obter um GPS espiritual e para o céu (qualquer que seja ele, céu, dimensão, lar espiritual).

Recalcamos, assim, como nobres carneiros pastoreados, nossas mazelas, convencendo-nos de que elas não mais existem, ou, ainda - já que ele serve para isso mesmo - o "Tinhoso" é o responsável. "Joga pedra no Belzebu", "joga b...no Belzebu, ele é feito pra apanhar, ele é feito pra cuspir". A letra poderia ser parafraseada assim, de qualquer sorte.

Tudo é culpa, culpa, culpa e, na internalização de 5.000 anos de tanta culpa, estamos convencidos disso e... bingo! Culpamo-nos mais e mais, ao mesmo tempo em que procuramos mais e mais o anestesiamento de uma expressão religiosa que não nos faça sofrer tanto por olharmos para o eixo de nossas feridas.

Não queremos olhar para a ferida que sangra e fede (já sentiram um cheiro forte de sangue quando coagula?): colocamos um band-aid , esquecendo-nos de que a Natureza é providencial no sentido de permitir uma cicatrização mais rápida quando a ferida "respira".

O Caminho do Sagrado Feminino, dentro de todo esse contexto de execração pública do que não é a religião "oficial" (teocêntrica, monoteísta, masculinista, castrada e paradoxalmente fecundadora) sequer é compreendido.

As bruxas pós-modernas são tão mal compreendidas como as de outrora, com o diferencial trazido pela democracia - que permitiu o sincretismo e a convivência - e pela psquiatria, de conseguiu "enquadrar" todas as bruxonildas como TDH, TDA, T.O.C. e outras siglas. Perfumaria filosófica que apenas reproduziu a perseguição de antes, pois a "convivência democrática" nada mais é do que a permissão à tolerância (existe palavra mais arrogante do que tolerância? Não, porque "toleramos" tomando por pressuposto nosso etnocentrismo em relação aos nossos valores, que "são melhores" do que os dos outros e, com isso e com a "compaixão crística", colocamos o outro no chinelinho) e a taxatividade psyquic - ou psycho killer - é apenas um molde para marcar a ferro e fogo quem está fora do clubinho dos ditos "normais".

Somos vertidas em siglas, o que traz a marca, de novo, escarlate colada bem no meio do peito! Morte às bruxas, sacerdotisas de Avalon! Morte ao que se desconhece! Eis a máxima que coexiste com os idos da Era de Aquário...

Porém, talvez, a maior expressão de antagonismo e negação de si - do que é e foi construído social e culturalmente como tradição de retorno à deusa e natureza, seja o providencial contra-fluxo trazido por nossas irmãs - mulheres - que, negando em si o Sagrado, entendem que o que vivenciam (sodomia) seja a expressão do Feminino.

Ser Feminino é, sobretudo, pautar, dentro desse espúrio pensamento, uma agenda de acordo com o que o 'mercado consumidor dos solteiros' determina. É simplesmente esquecer que habita dentro de cada uma de nós a centelha da criação e, com isso, tornar-se estéril de atitudes, pensamentos e, sobretudo, mudanças.

Nossas maravilhosas mulheres pós-modernas, que atingiram o mercado de trabalho e se emanciparam economicamente são, acima de tudo, machistas e questionadoras assépticas do empreendimento invisível de desqualificação do Feminino e do Sagrado, pelo simples fato de se manterem ignorantes em relação ao que realmente significa o conteúdo latente da frase "homens são de Marte e mulheres são de Vênus".

Como papagaias criticamos quem deu seu sangue para que cada uma de nós pudéssemos estar aqui, nesse exato momento, trabalhando, sendo candidata à Presidência, sendo médicas, advogadas, engenheiras etc. Esquecemos que as primeiras "feministas" foram as bruxas retorcidas na Idade Média, chamadas para resolver o que os médicos oficiais não conseguiam e, depois, enviadas direto para as fogueiras inquisitoriais.

Esquecemos porque não sabemos e, não sabendo, não criticamos com profundidade. Somos rasas em nossos juízos. Não lemos O Martelo das Feiticeiras, A feiticeira...clássicos...literatura queimada na Idade Média para que o "oficial" pudesse ser a memória de cabeceira de nossas mulheres recém-saídas das cozinhas...

E o Sagrado Feminino?

Ressurgido de movimentos políticos da década de 70 - como o trabalho maravilhoso de Starhawk em A dança cósmica das feiticeiras - o Sagrado volta ao cenário por meio da redesignação dos cultos neo-pagãos. Brotam religiões como a wicca que, mesmo diante de tanta crítica e nariz torcido, estabelece-se e ganha adeptos no mundo todo. Por que?

Simples, porque a verdade não é monopólio dos que a ostentam!

A verdade absoluta (como se existisse uma, em sim, relativa) é para poucos...e, com isso, as religiões e pessoas que, em espiral, estabeleceram bases frágeis de percepção do todo, não alcançam a compreensão de diversidade que reside no mundo. O binário é a máxima...Sempre!

Preferimos, porém, o conforto de nossos lares, dentro da aparência de normalidade, que encobre cancros e miasmas em nosso espírito e, mentindo para nós mesmas, mentimos para os outros, convencendo-nos de uma percepção pollyânica da vida, que nos deixa, cada vez mais, frustradas com os rumos de nossas vidas...

Sem problema! Para anestesiar, comemos MacDonalds, compramos Ávida, Carmin e depositamos o dízimo e, depois, vomitamos tudo e damos descarga! Hehehehe!

Hey ho!

Nenhum comentário:

Postar um comentário