sábado, 31 de julho de 2010

Preparando a morada para a luz de Imbolc!

Estamos no ápice do Inverno e, como todo clímax, a hibernação está chegando ao fim, pois a Natureza se prepara para o despontar das flores que brindam nossos olhos com um inesquecível espetáculo de cor, brilho e luz.

A temperatura começa a subir e a Terra, agora, acorda para a luz de Imbolc - também conhecido como Candlemas (massa de velas) - sabbat ígneo que festeja a lactação.
Nos campos, as fêmeas que guardaram suas forças e nutrientes na hibernação agora estão plenas em si com o leite nutridor da prole, que virá, dali a frente, em Ostara.
O Sol está voltando, pouco a pouco, em Imbolc, transitando pela mandala celeste com sua timidez, preparando-se para despontar, altivo, dando adeus à estação reflexiva que o inverno representa.
Imbolc é época de reverenciar Brighit, deusa relacionada à fertilidade, à poesia, ao fogo, à música e à cura, representado o aspecto tríplice da divindade.
Brig (força, em gaélico) é a guardiã do fogo sagrado, nutridor da inspiração, bem como a espiritualidade, já que é o elemento da criação. Daí necessariamente a fertilidade atributo dessa deusa, apesar de ser tida e conhecida, no panteão celta, no aspecto virginal da trindade.

Brighit também é Deusa dos ferreiros, pois, afinal, a forja cria, a partir do fogo, ferro e bronze, as armas simbólicas de nossa alma em plena jornada heróica. A centelha que parte do tilintar do martelo do mestre ferreiro transmuta a matéria e lhe atribiu o sentido do belo, do sagrado e do poético.
Os celtas, mais que qualquer outro povo, admiravam a poesia que brota da alma, dos campos de batalha e das mortes heróicas dos guerreiros e guerreiras míticos.
Belo e sagrado fundem-se na poesia, marcando em Imbolc a saudação à lírica ancestral.
O fogo sagrado de Brighit é a própria chama transmutadora que dá origem ao Tudo a partir do
Nada, plasmando em concretização a energia imanente do Universo.
Antigamente era mantido por 19 sacerdotisas em Kildare - prestando atenção no simbolismo do número um, que marca o início, a gênese, bem afinado com a perspectiva de criação que o elemento fogo propicia ao espírito) - permanecendo intacto o culto até 1220, ocasião em que a conversão ao cristianismo progressivamente marcou a coexistência da Brighit pagã com a santa reverenciada pela religião católica.
É hora de deixar o Sol entrar em casa (hehe, paradoxal para mim, já que um Sol acaba de romper o céu e implodir)...
Eis a luz que retorna para se fazer, cada vez mais, plena. Momento de abrir as janelas e limpar a casa. Lustrar os móveis, cozinhar e celebrar a fartura.
Imbolc remete à fartura e fecundidade, pois as tetas estão cheias de leite para os animais no campo. E nós, cheias e plenas de idéias, projetos e amor!
Na cozinha, coração da casa, o momento é de preparar a festividade de amanhã. Direcionar a energia interna para o foco que se deseja desenvolver. Fazer pão, bolo... Tanto faz, tudo é permitido num festival lácteo como esse. Aveia, trigo, cevada, grãos, em geral, são bem-vindos em Imbolc, porque promanam das sementes que trazem a latência a explodir na colheita!
Luz! Velas! Sim, muitas delas, para nos lembrar que o tempo de escuridão do Inverno está sendo harmonicamente substituído, na mandala planetária, pela gentileza da Primavera. Durante os festejos de amanhã, acenda muitas velas em seu lar, mentalizando, sentindo e vivenciando a força que o fogo traz em sua vida.
Vamos trançar a cruz celta de Brighit! Os nós e os trançados, quando elaborados em meio a rimas, músicas e bruxedos, "amarram", apertam, trazem para a realidade física o mantra pessoal, o desejo contido dentro de cada um de nós.
Enquanto você trança a cruz, tente fazer o encantamento...
A cada trança, uma invocação, repetindo-a em ciclos, que espiralizam até o vórtice alcançar o espaço:
"Pelo primeiro trançado que estou dando, o feitiço está começando.
Pelo segundo trançado que dou, o feitiço já começou,
Pelo terceiro trançado dado, meu desejo está atado.
Pelo quarto trançado feito, o que desejo é meu por direito.
Pelo quinto trançado realizado, meu sonho está plantado.
Pelo sexto trançado que vou dar, minha vontade vai se fixar.
Pelo sétimo nó que faço, que conspire todo o espaço.
Pelo oitavo nó que estou fazendo, a tecelã está tecendo.
Pelo nono nó que estou atando, meu feitiço está chegando"
Sem prejudicar ninguém, sem manipular energeticamente, lembrando da ação e reação (para alguns, em lei trina).
Sua cruz de Brighit está pronta para o próximo festival...
Hey, ho!
Fàilte, Imbolc!

2 comentários:

  1. Oi de novo,
    eu adorei o Imbolc. Esse foi a primeira celebração da Roda do Ano que eu de fato tive coonsciência e percebi na natureza. Como estou apenas começando nesse caminha fiz uyma celebração solitária, com alguns elementos representando essa época e acredite, foi muito bom. fica muito mais legal quando se compreende a natureza e percebe-se o ciclo dela. Eu sempre gostei de reparar nas estações e quando descobri a Roda do Ano fiquei ainda mais sensível á Natureza em si.
    Gostei muito e pretendo celebrar os próximos ritos.
    Tenha um Ótimo Imbolc, espero que seja um Bom Recomeço para vc também.
    Bjus
    Morgana

    ResponderExcluir
  2. Querida Morgana,

    Hey ho! Fico feliz por seu início de caminho agregado à Natureza. Isso é muito bom - e muito difícil para quem não está no giro da roda.
    Celebro com meu amigão e irmão de outras eras, mas usualmente celebrava de maneira solitária, por conta da necessidade de me encontrar comigo. É na solitude que encontramos nossa luz e nossa sombra, compondo ambas e superando a dualidade...
    Tenha um ótimo recomeço, em vários níveis de existência e consciência!
    Audrey

    ResponderExcluir