terça-feira, 8 de junho de 2010

A Deusa e o Deus estão em nós! E a magia paira no ar

A contemporaneidade indiscutivelmente trouxe o resgate da conexão com a Natureza , pois, para todo o lado, observamos que despontou uma preocupação mais contundente com a preservação ambiental, o compromisso com o eco-sistema, com a biosfera.

Desde uma educação ambiental, reciclagem de lixo, aproveitamento de papéis e tecidos, tudo tem girado em torno da necessidade de harmonização com a Natureza, tão dilacerada e denegrida pela imagem que se formou em torno da idéia de evolução e desenvolvimento.

Lígia Maria costumava sempre fazer um exercício de redução ao absurdo: ela falava para o interlocutor pensar na hipótese de não mais existir um exemplar humano na Terra.
Daí, indagava ao pensador o que poderia acontecer com a Natureza – os animais, as plantas, enfim, tudo que compõe esse espetáculo – se não existisse mais humano algum habitando a Terra.
Depois, pedia ao interlocutor que fizesse o mesmo exercício, mas invertendo os pólos: agora, extraindo a Natureza e deixando apenas o ser humano. Bom, acho que a resposta é por demais óbvia: se apenas restasse o ser humano na Terra, sem água, animais ou plantas, simplesmente seria inviável a manutenção de vida por aqui, justamente por conta da conexão visceral que guardamos com o meio ambiente.

E quanto à Natureza? Ora, sempre presente, até mesmo em função de estabelecidas interações em redes e cadeias, desde uma estrutura de retroalimentção, como, também, por intermédio da cadeia alimentar, praticada em decorrência de uma bem montada lógica de predatismo. Isso, sem mencionar outras relações, a exemplo da simbiose e do mutualismo, que denunciam a existência de escalas interacionais e conectivas entre os seres.

É possível observar - apenas tirando um dia de nossas vidas para ficarmos contemplando a Natureza - que existe uma rede imantando a interconexão entre os seres, uma verdadeira teia da vida, com bem relata um físico chamado Fritjof Capra.

Assim, já que estamos falando de retorno à Natureza, nada mais conveniente do que o desvendamento e a troca de algumas idéias sobre “paganismo”, já que está intrinsecamente relacionado com uma percepção romântica de Natureza.
Paganus vem do latim, habitante do campo, designando aqueles grupamentos que tiveram sua vivência projetada nas grandes áreas rurais, motivo pelo qual o culto à colheita teve uma influência marcante, neste sentido, para entender como pagão todo o adepto da celebração sazonal de ciclos da Natureza.

Não existe um consenso quanto ao número de adeptos do paganismo no mundo, mas a estimativa mais direcionada à bruxaria, bem como à wicca, segundo uma estatística apresentada pelo Witche´s Voice , o maior website especializado no assunto, faz referência a um milhão de pessoas, só nos Estados Unidos.

Assim, todo foco de religiosidade fora do âmbito monoteísta judaico-cristão – entendido como modelo ocidental – pode ser denominado paganismo, um grande tronco de convergência de todas as religiões ou conjunto de crenças, que não estão embasados num sistema expiatório cristão.
Estudar a bruxaria, pois, é demarcar o campo de expressão de vivência no Sagrado, a partir de uma concepção de retorno ao culto da Terra. Alguns autores, como Joyce e River Higginbotham entendem que paganismo e neopaganismo são sinônimos, designando um movimento religioso em expansão, principalmente a partir da década de 60, com a expressão do retorno ao feminino (2003, p. 19).

Como se trata de uma vivência centrada na Terra, pode ser avaliada sua gênese muito antes desse movimento expansionista pós-moderno, razão pela qual paganismo e neopaganismo, nesse sentido, não seriam expressões sinônimas, já que o último estaria relacionado ao desenvolvimento, nas últimas três décadas do século XX, do rol de expressões de religiosidade fora do eixo judaico-cristão.
Aliás, tenho alguns problemas existenciais em relação à aproximação da wicca e da bruxaria, pois a wicca se estabelece como um movimento religioso, dogmático (já que se baseia em fórmulas e ritos), enquanto a bruxaria persiste como prática ou vivência, segundo alguns antropólogos, no campo do "profano" (do aqui e do imanente). Para quem vivencia uma história de ancestralidade, a bruxaria está no seio familiar, perpassando séculos e gerações, por meio dos segredos guardados pelas matriarcas...

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