segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A paranóia do Natal e o significado de Litha

Natal, uma data comemorativa, ocasião em que os corações se unem, em abundância, para a celebração do nascimento de Cristo. Muito se fala e se compra no Natal, mas poucas pessoas sabem, de fato, que se trata de uma data literalmente "importada" da cultura pagã de Yule, data de derrocada e preparação sacrificial do Deus, a partir da deusa, marcando, no hemisfério norte, a passagem para o inverno.

Nas tradições nórdicas e em alguns focos celtíberos, a tradição do pinheiro enfeitado com a estrela (que, por sinal, tem 5 pontas, sendo, pois, um pentagrama) existe muito antes de o Cristianismo se apropriar do evento, mudando seu significado para, em nome da necessidade de unificação (e extermínio produzido pela Igreja), condenar tudo que não fosse centrado na figura crística.

O pinheiro representa o falo do Deus, cingido pelos 5 elementos (ar, água, fogo, terra e espírito),marcados no pentagrama, que, não sem coincidência, coloca-se no topo... No hemisfério sul, por outro lado, a data não é Yule (passagem para o inverno), mas, antes, Litha, o nacimento do Deus, que, de igual forma, parte da deusa.

São ciclos de morte e vida, morte e nascimento, de início e fim, para a perpetuação do ciclo de espirais. Infelizmente, porém, são esquecidos pelas pessoas, para quem o único significado desta data resume-se em comprar um bando de tralhas, bugingangas e artefatos de destruição ambiental, fingir que as desavenças não existem entre as pessoas (recalcando as raivas, as iras e as transformando em câncer) e, claro, muita comida, para contruibuírem, ainda mais, com o lançamento de metano na atmosfera e, com isso, acabando com o mundo.

Sim, o Natal, para mim, nada tem de significado, a não ser observar o rettrato mais fidedigno da decadência humana, vendo as pessoas em seus pequenos mundos de egoísmo. Levadas pela ilusão de preenchimento, aliada ao auto-engano e a baixa auto-estima, o consumo desenfreado estabelece-se na seguinte relação: quanto mais vazias, frustradas e infelizes as pessoas estão, mais adquirem, no afã insaciável de tentarem tapar o buraco de suas vidinhas completemente sem significado...

Ao invés da reflexão vem o consumo, justamente para que o silêncio da alma seja substituído pela ruminação e pela deglutição. O mastigar dos perus, dos lombos, e de toda carne que será putrefeita nos estômagos adornados de fel forma uma ruidosa sinfonia em descompasso com o ritmo da Natureza... Somos o que comemos e, com isso, basta um raio X dentro do nosso estômago, para observarmos que somos inerentemente... fétidos!

Fui a uma dessas "Mecas" de consumo, onde a palavra de ordem é comprar e o dialeto é o desespero. Filas de pessoas que andam, como formigas, sem consciência, sem reflexividade e, talvez, sem a menor noção de quem são ou sejam no mundo são o retrato mais fiel da falta de amor... O mundo está acabando e o que as pessoas fazem é comprar. Até os noticiários dedicam suas reportagens apenas a isso: lojas, shoppings, consumo, consumo e mais consumo, até que todos os recursos sejam esgotados. Somos mesmo um bando de vírus, espalhando nosso poder letal para a Terra...

O amor cedeu espaço às "saudáveis" (escrevi assim porque, de fato, nada vejo de saudável em se brincar de destruir a estima alheia) brincadeiras de "Amigos secretos" ou "Inimigos ocultos". Quando foi que perdemos a noção do respeito ao próximo? Não sei, mas desconfio que foi quando perdemos a noção do que seja, verdadeiramente, amar alguém. Desconfio que perdemos a vergonha na cara ou o que resta dela porque ensimamos nossas crianças que papai Noel somente leva $$$$$$$.

As pessoas não se respeitam e não será uma data fictícia, em relação a qual nem se sabe se um ser humano nasceu (duvido que Cristo seria capricorniano), que irá produzir mudanças. A maior mudança está em se voltar para si e, com isso, observando a imbecilidade em que nos tranformamos, podermos, com muito esforço, transmutar...Afinal, como dizia Gandhi, sejamos nós a mudança que desejamos no mundo...

Pena que o mundo, ao que vejo, parece ser o quintal sujo da casa de alguém...

Um comentário:

  1. Texto completamente maravilhoso! Meus parabéns pelo blog.

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